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Utilização de macroalgas marinhas em cultura para limpeza de afluentes e reciclagem de nutrientes

Investigador responsável: Profª. Isabel Sousa Pinto
Email: ispinto@cimar.org
Morada: CIMAR, Centro de Investigação Marinha e Ambiental
Rua dos Bragas, 289 - 4050-123 Porto

As zonas costeiras ocupam cerca de 15% da superfície terrestre. No entanto, nessa área reside mais de 60% da população mundial e, ao ritmo presente, estima-se que em 2025 este número cresça para cerca de 75%. As zonas costeiras possuem recursos ecológicos e económicos insubstituíveis, sendo aí efectuadas cerca de 95 % das capturas de pesca mundiais. Em conjunto com os efluentes domésticos, industriais e agrícolas, os sistemas de aquacultura intensivos são responsáveis pelo aumento de nutrientes nas zonas costeiras até níveis superiores aos suportados por esses ecossistemas.

Com o cultivo integrado de animais e macroalgas obtém-se uma complementaridade de necessidades. A limpeza dos efluentes (redução da eutrofização) é uma necessidade das pisciculturas que pode ser alcançada através do cultivo de macroalgas. As macroalgas dispõem assim de nutrientes em abundância para crescer. Por outro lado, para além do azoto e fósforo, removem também dióxido de carbono (CO 2) e adicionam oxigénio (O 2) à água, que pode inclusivamente ser reutilizada pela piscicultura. Se as algas utilizadas tiverem valor comercial poderão ainda representar uma diversificação da produção e uma receita adicional.

Com este projecto pretendeu-se realizar um estudo das potencialidades de algumas espécies de macroalgas da costa Portuguesa como depuradoras de águas provenientes de aquacultura piscícola. Para atingir este objectivo propusemos:

1-Seleccionar espécies com interesse comercial e existentes na costa Norte de Portugal e estudar as sua condições de cultivo. As espécies utilizadas foram Gracilaria bursa-pastoris, Chondrus crispus, Porphyra umbilicalis e Porphyra dioica.

2-Determinar a eficácia destas espécies na remoção de nutrientes em pisciculturas.

3-Formar pessoas com conhecimentos teóricos e práticos no cultivo destas algas para apoio a aquaculturas interessadas em utilizar esta tecnologia.

4-Divulgar os resultados obtidos neste projecto junto dos aquacultores.

Principais Conclusões

Este trabalho provou que existem na costa Norte de Portugal macroalgas com bom potencial para serem utilizadas como biofiltro em sistemas de aquacultura integrada. Porphyra dioica alcançou em laboratório resultados muito animadores no que respeita à sua capacidade de assimilação de nutrientes.

Das espécies já testadas no ambiente “real” da piscicultura, à escala de aplicação prática, Gracilaria bursa pastoris revelou-se também uma boa candidata. Para além da capacidade de assimilação de nutrientes, é possível manter esta espécie em cultura durante todo ano (com naturais oscilações de produtividade)

Por outro lado, Chondrus crispus, apesar de não ser tão eficiente a remover nutrientes, pode beneficiar do seu estatuto de espécie com valor económico. Mais estudos estão a ser efectuados no âmbito dos projectos SEAPURA (www.seapura.com) e PNAT (PNAT/1999/BIA/15204) quanto à utilização desta alga. Na piscicultura aonde se efectuou este trabalho continua-se o fazer o cultivo de Chondrus crispus, que pode ser vendido para extracção de carraginatos. Parte da água tratada com estas macroalgas está já a ser reutilizada pela piscicultura nos seus tanques de peixes.

Todos os objectivos propostos aquando da elaboração deste projecto foram alcançados. Estudaram-se 4 espécies de macroalgas marinhas presentes na costa Norte de Portugal e identificaram-se 3 delas como boas candidatas para utilização em sistemas de aquacultura integrada para limpeza de efluentes e reciclagem de nutrientes. Durante este projecto foi dada a oportunidade a alunos recém licenciados e alunos de mestrado de realizarem trabalhos no âmbito no projecto. Estes alunos adquiriram formação em estudos de fisiologia de macroalgas marinhas e em técnicas de aquacultura. A equipa de trabalho do laboratório de biodiversidade costeira do CIMAR possui neste momento pessoal com conhecimentos para implementar e desenvolver esta tecnologia em aquaculturas de peixes marinhos que demonstrem interesse na sua aplicação.